Ano Santo Mariano

quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

Queridos irmãos e irmãs,

Para aqueles que não puderam está conosco no nosso recital, confira os videos da nossa apresentação.



Música: Ouve ao Teu Senhor, Belém


Música: Vinde Cristãos à Porfia

Música: Adeste Fideles

Música: Ave Maria 

Música: Noite Feliz







segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

A todos os irmãos e irmãs em Cristo, nossa saudação de um Feliz e Santo Natal do Senhor...


quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

quarta-feira, 14 de dezembro de 2016


Fiéis a tradição de montar presépios, as Irmãs Clarissas prolongam em nossos dias o entusiasmo que moveu São Francisco de Assis a representar pela primeira vez este santo acontecimento, que marca um antes e um depois na história da humanidade. Aconteceu em um dos bosques de Greccio, povoado de Úmbria (Itália), em pleno século XIII. Francisco peregrinara à Terra Santa e provavelmente essa viagem inflamou ainda mais sua devoção à Humanidade Santíssima de Cristo.

Em Roma, pediu permissão ao Papa Honório III para montar um presépio vivo, que lembrasse aos cristãos a noite do primeiro Natal. Com a ajuda de um fiel amigo, dispôs as coisas para cumprir esse desejo: “Quero lembrar o menino que nasceu em Belém, os apertos que passou, como foi posto num presépio, e ver com os próprios olhos como ficou em cima da palha, entre o boi e o burro” (Tomás de Celano, Vita prima 84).

Representação da primeira cena da natividade em Greccio
 com São Francisco (Benozzo Gozzoli)
Naquela noite de Natal de 1223 o Poverello (pobrezinho) de Assis coroou seu sonho, experimentando de maneira plástica a grandeza e novidade do mistério da encarnação e fazendo os povoados das redondezas participarem de sua alegria. Segundo Tomás de Celano, primeiro biógrafo de São Francisco, todas as pessoas do lugar se reuniram no bosque de Greccio, com tochas e círios acesos para iluminar a noite. Francisco vestia os ornamentos diaconais e cantou o Evangelho do Natal na Missa celebrada por um sacerdote comovido. Francisco pronunciou um sermão em que se referiu a Jesus como “Menino de Belém”. Estava de pé ao lado do presépio, e – de acordo com seu biógrafo –, cheio de piedade, movido por uma alegria inefável, “estalava a língua quando falava “menino de Belém” ou “Jesus”, saboreando a doçura dessas palavras” (Ibid. 86).

Bento XVI se referiu a esse evento há poucos anos, em uma audiência sobre o significado do Natal. “Celano narra que, naquela noite de Natal, foi concedida a São Francisco a graça de uma visão maravilhosa. Viu que no presépio jazia imóvel um menino pequeno, que acordou precisamente pela proximidade de São Francisco. E acrescenta: ‘Esta visão coincidia com os fatos, pois, por obra de sua graça que atuava por meio de seu santo servo Francisco, o Menino Jesus foi ressuscitado no coração de muitos que o tinham esquecido, e ficou profundamente gravado em sua memória amorosa’ (Vita prima n. 86)”. O Papa acrescentava que aquela primeira representação do Natal supôs, para a vida dos fiéis, “a descoberta de que Deus se revela nos ternos braços do Menino Jesus. Graças a São Francisco, o povo cristão pôde perceber que, no Natal, Deus chegou a ser verdadeiramente o “Emmanuel”, o Deus conosco, do qual não nos separa nenhuma barreira nem distância” (Audiência, 23/12/2009).

Também nestes nossos tempos torna-se muito necessário “ressuscitar” nos corações dos fiéis a convicção de que o Filho Eterno de Deus, impulsionado por sua misericórdia (por sua condescendência, como diziam os antigos Padres da Igreja), se fez verdadeiramente um de nós, tomou sobre si nossas fraquezas – exceto no pecado – para redimir-nos de nossas culpas. O Deus santo e eterno, que não podia morrer, se fez homem para padecer como nós a morte e assim livrar-nos da tirania do demônio e fazer-nos filhos de Deus.

A celebração litúrgica do Nascimento de Jesus, com as numerosas manifestações de piedade popular que a acompanham, constitui um momento de grande importância para que esta verdade resplandeça diante dos olhos e o coração do povo cristão, e também diante de inumeráveis homens e mulheres que, no mundo inteiro, celebram o Natal de algum modo mesmo sem conhecer seu significado. Por isso, montar o presépio nos lares e nas cidades é uma forte manifestação de fé, capaz de despertar um mundo que tem o risco de esquecer as realidades eternas, concentrando-se nas passageiras.

Tratemos de reviver em nós o mesmo espanto e o mesmo entusiasmo de São Francisco naquela noite de Natal nas terras de Úmbria. A raiz grega dessa palavra, entusiasmo, contém uma referência à inspiração divina que suscita em quem a recebe: paixão, alegria, admiração, arrebatamento, fervor de espírito… E assim acontece de verdade, quando consideramos o significado do Menino de Belém. Suas lições de humildade, pobreza, abandono, são sempre atuais, e talvez mais em nossa época, marcada por tensões que desembocam no esquecimento de Deus e no afastamento do próximo. No Jesus Menino se manifesta o Deus-Amor: um Deus inerme, que renuncia ao uso da força, porque deseja ser acolhido livremente pelos homens.

Seu nascimento no desamparo de Belém, esquecido por todos, exceto por Maria e José, nos fala também da necessidade urgente de sair se nós mesmos para colocarmo-nos alegremente ao serviço dos outros, especialmente dos mais necessitados. “Em verdade vos digo: se não vos converterdes e vos fizerdes como crianças, não entrareis no Reino dos Céus”, disse o Mestre (Mt 18, 3). Entender o mistério do Natal exige necessariamente cultivar esta atitude de filho pequeno, que põe inteiramente sua confiança em seu pai e em sua mãe, e procura assemelhar-se ao Filho Eterno de Deus, feito filho do homem.

Não pensemos, no entanto, que o acontecimento do Natal é algo distante no tempo, que só por ocasião destas festas se coloca em primeiro plano. São Josemaria Escrivá de Balaguer, fundador do Opus Dei, quando ainda era um jovem sacerdote, escreveu: “Humildade de Jesus: em Belém, em Nazaré, no Calvário... Porém, mais humilhação e mais aniquilamento na Hóstia Santíssima; mais que no estábulo, e que em Nazaré, e que na Cruz.” (Caminho 533). Repetia – sempre com ares de novidade – que o berço do Menino Deus é uma cátedra de todas as virtudes. Ao mesmo tempo, esse sacerdote santo ensinava que na Santa Missa e no Sacrário, Nosso Senhor se encontra inerme, como naqueles momentos iniciais de sua vida terrena. Espera nosso agradecimento, nossa companhia, nosso entusiasmo ante a realidade de um Deus escondido, que se digna permanecer conosco até o fim dos tempos, oculto sob o véu do pão e do vinho.

Peçamos a Deus Pai, sob a guarda do Espírito Santo, que nesta grande festa do Natal saibamos reconhecer a Jesus em nossos próximos – nos doentes, nos pobres, nos perseguidos por causa da justiça –, e que lhe acompanhemos nos tabernáculos onde mora realmente por amor a nós.

Visitemo-lo frequentemente no “presépio perene do Sacrário” – como chamava São Josemaria –, e façamos conhecer sua presença real a outras muitas pessoas. Deste modo, “também a nós nos poderia suceder o que Tomás de Celano, referindo-se à experiência dos pastores na Noite Santa (cfr. Lc 2,20), narra a propósito daqueles que estiveram presentes no acontecimento de Greccio: “Cada um voltou a sua casa cheio de inefável alegria” (Vita prima 86)” (Audiência, 23/12/2009).

Este é o desejo e a oração que elevo ao Céu, pedindo a Deus graça abundante para todos os cristãos, de modo especial para os que decidam honrar o nascimento do Filho de Deus montando o presépio em suas casas ou visitando com piedade essas representações em qualquer lugar do mundo.

+Javier Echevarría
Prelado do Opus Dei
Artigo de introdução a um folheto com fotografias de
 presépios preparado pelo Real Monastério de Santa Clara, 
em Carrión de los Condes (2015)

terça-feira, 13 de dezembro de 2016


Queridos irmãos e irmãs, é com grande alegria que esse ano iremos realizar o nosso I Recital de Natal.

Nós, Clarissas, a exemplo dos nossos Seráficos Pais Francisco e Clara, preparamo-nos de modo muito especial para a chegada do Santo Menino de Belém, e esse ano, para saldar essa chegada com ainda mais alegria e solenidade, iremos realizar  o recital para contarmos as maravilhas desse grande acontecimento.

Convidamos a todos a se unirem em nós, para bem recebermos o Menino Jesus.

Participe conosco! 

Será no dia 25 de dezembro, no Santuário de Santa Clara, ás 19h00min, após a Santa Missa de Natal.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

"Convinha,  Deus podia, Deus o fez!"
(Beato João Duns Scotus)

São Francisco e a Imaculada

A Imaculada Mãe de Deus é a Excelsa Rainha da Ordem Seráfica, nosso Pai São Francisco e nossa Mãe Santa Clara, sempre tiveram uma especial devoção a Ela e verdadeiro amor filial.

Nós, suas filhas, também a amamos com especial amor e a ela somos todas devotadas.

Conta-se que o Beato escocês João Duns Scotus (1266-1308), Frade Franciscano, estando diante duma imagem de Nossa senhora, rezou da seguinte maneira: "dignare me laudare te, Virgo sacrata": "Virgem Santa, fazei com que eu fale bem de vós!" Em seguida, o franciscano fez as seguintes perguntas:



– A Deus lhe convinha que a sua Mãe nascesse sem a mancha do pecado original?

Sim. A Deus lhe convinha que a sua Mãe nascesse sem nenhuma mancha, pois é mais honroso para ele.

– Deus podia fazer que a sua Mãe nascesse sem o pecado original?

Sim. Deus pode tudo e, portanto, podia fazer com que a sua Mãe fosse imaculada, sem mancha.

– Aquilo que é conveniente a Deus, ele o faz ou não?

Se Deus vê que uma coisa é conveniente, que é melhor, ele a realiza.

– Logo – exclamou Scotus –, já que para Deus era melhor que a sua Mãe fosse imaculada e podia fazer que assim o fosse, ele – de fato – a fez imaculada. "Decuit, potuit, fecit!" "Convinha,  Deus podia, Deus o fez!"

Santa Clara e a Imaculada
O dogma da Imaculada Conceição de Maria foi proclamado no dia 08 de dezembro de 1854. 
Pio IX na Bula "Ineffabilis Deus", declara a santidade da Virgem Santa Maria desde o primeiro momento da sua existência, desde a sua Conceição, ou seja, que ela foi preservada desde sempre da mácula do pecado original, no qual nascem todos os filhos de Adão. Enquanto estes estão privados da graça divina, a Virgem Maria foi toda pura, santa e imaculada desde o início da sua vida. Esta foi desde sempre a convicção profunda da Igreja, que viu na Virgem Maria a 'Nova Eva' (Sto. Irineu).
Apesar da sua reconhecida devoção a Nossa Senhora, homens como S. Bernardo, Santo Alberto Magno e São Tomás  de Aquino tiveram dificuldade em admitir a Imaculada Conceição, porque difícil de conciliar com o dogma da universalidade da Redenção. Proclamar a Imaculada Conceição parecia implicar retirar a Virgem Maria da órbita da Redenção em Jesus Cristo, a qual, por ser necessária e absoluta, era tão universal como o pecado original. Se a Virgem Maria não estivesse incluída no número dos que contraíam o pecado de Adão, ficava então igualmente excluída da redenção, e esta não seria universal, pois não abrangeria todos os descendentes de Adão. Perante esta alternativa, foram como que obrigados a negar o privilégio de Maria até ser possível conciliá-lo com o dogma da universalidade da redenção em Cristo. 
Mas a solução do problema só foi dada pelo beato João Duns Scotus, segundo o qual a Imaculada Conceição não exclui a Virgem Maria da redenção, porque ela foi preventivamente redimida pelo seu próprio Filho. Ela foi antecipadamente redimida e por conseguinte preparada para a sua divina maternidade. Esta explicação acabou por ser recebida na teologia e nas declarações do magistério. 
Duns Scotus com a Imaculada

A Imaculada Conceição representa a obra de arte da Redenção realizada em Cristo, porque precisamente o poder do seu amor e da sua mediação obteve que a Mãe fosse preservada do pecado original. Portanto, Maria está totalmente redimida por Cristo, mas já antes da sua concepção.

Abaixo, trecho do filme "Duns Scotus" onde ele faz a defesa de sua tese sobre a Imaculada Conceição de Maria:




quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

Na manhã desta quarta-feira (7), o Vaticano anunciou o nome do novo Bispo da Diocese de Grajaú - MA, nomeado pelo Papa Francisco, sendo Frei Rubival Cabral Britto, 47, Frade Menor Capuchinho da Província Nossa Senhora da Piedade da Bahia e Sergipe.

Frei Rubival esteve aqui no nosso Mosteiro no ano de 2013, quando pregou o nosso retiro anual. Temos muitas e gratas lembranças desse nosso querido Irmão que nos trouxe com sua simplicidade, seu sorriso tímido e seu coração apaixonado por Cristo, novo vigor em nossa caminhada franciscana. 

Nós nos unimos em oração a ele nessa sua nova missão e rezamos para que renda bons frutos em sua caminhada, bem como para toda Diocese de Grajaú. Temos a certeza que ele espalhará cada vez mais o jeito simples e belo de ser franciscano.

Frei Rubival, nasceu em 21 de julho de 1969, na cidade de Jaguaquara-BA, filho de Rubens Alves Brito (In memoriam) e Maria de Lourdes Cabral Brito. Desde jovem tinha participação ativa na vida da igreja, como conta Zélia Maria de Almeida, que diz que ele “demonstrava grande interesse pelas coisas de Deus”. Em sua Paróquia, a Paróquia Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, em Jequié, desde a juventude atuou na vida pastoral da igreja, participando de grupos como o JUEC, Apostolado da Oração, Pastoral da Criança e também atuou como coroinha, sempre manifestou o desejo de estar perto do Senhor.

Participou de um Encontro Vocacional da Diocese de Jequié em 1997, onde percebeu sua inclinação ao sacerdócio, porém em 1989, ao conhecer os Frades Capuchinhos em Jaguaquara, sentiu-se convidado a ser religioso Capuchinho. Em 1990, na cidade de Alagoinhas-BA, ingressou na Ordem dos Frades Menores Capuchinhos e em 1992, fez o ano do noviciado em Esplanada-BA, onde emitiu os primeiros votos de castidade, pobreza e obediência pelas mãos do então Ministro Provincial Frei Carlos Inácio de Souza.

Estudou Filosofia no Instituto de Teologia de Ilhéus, período no qual também se dedicou à pastoral vocacional, de modo a ajudar outros jovens a discernirem sua vocação. Na Universidade Católica do Salvador iniciou e concluiu a Teologia, período no qual prestou importantes serviços pastorais à comunidade de Valéria, na capital baiana. Frei Rubival é doutorando em Ciências da Educação através do Instituto Internacional de Educação na Faculdade de Humanidades e Artes da Universidade Federal de Rosário, na Argentina.

Foi ordenado sacerdote no dia 17 de dezembro 2000. Na Província exerceu diversos serviços, como Promotor Vocacional Provincial, Secretário Provincial, Ecônomo e Formador, Administrador Paroquial, Definidor Provincial para as Missões, Mestre de Noviços e entre 2007 e 2013, Ministro Provincial. Participou de uma missão em Benin – África. Atualmente trabalha na cidade de Vitória da Conquista, como Vigário da Paróquia Nossa Senhora de Fátima e Santo Antônio de Lisboa e é diretor do Colégio Paulo VI.

Nomeação do Frei Rubival aconteceu na manhã desta quarta-feira (7), em Vitória da Conquista, Ba.



terça-feira, 6 de dezembro de 2016


Queridos Irmãos e Irmãs é com grande alegria que apresentamos a todos uma mui caríssima Irmã Clarissa que é uma grande candidata as honras dos altares. Ela era monja do primeiro mosteiro de Clarissas do Brasil, o Mosteiro Santa Clara do Desterro na Bahia.
Madre Vitória da Encarnação, hoje, Serva de Deus Vitória da Encarnação, morreu em odor de santidade e durante toda a sua vida embelezou o claustro das Filhas de Santa Clara. 

Agradecemos de maneira singular ao grupo de leigos - Amigos da Madre Vitória - que estão se empenhando para que nossa Madre chegue as honras dos altares. 
De nossa parte desejamos que venha logo tão esperado dia de glória para nossa futura santa, para a nossa Ordem e para a Igreja particular da Bahia.
Também nos comprometemos de depositar essa bela intenção nas mãos da Rainha das Virgens, para que ela apresse a glorificação de sua tão querida filha, que castamente se doou ao Senhor. 

Para os que desejarem conhecer o Convento do Desterro ou saber mais informações sobre a serva de Deus, eis o endereço:

Convento do Desterro 
 Rua Santa Clara, s/n - Nazaré
CEP: 40040-450  Salvador-BA

Como ponto de referência aos que não conhecem, o convento fica na esquina da Avenida Joana Angélica com a Rua Santa Clara, a poucos metros da estação de metrô Campo da Pólvora, no bairro de Nazaré, região central de Salvador.

Ou ainda pela página no Facebook:

História

Em 6 de março de 1661, nasce em Salvador (então capital da colônia) Vitória Bixarxe, filha do capitão de Infantaria Bartolomeu Nabo Correia e de Dona Luísa Bixarxe. De pais católicos e devotíssimos, a casa deles parecia, no dizer de Dom Sebastião Monteiro da Vide, “uma casa de capuchas recoletas”. Neste ambiente devoto cresceu a menina Vitória e aprendeu com a família uma especial devoção à São Miguel Arcanjo, que nutriu até o fim de sua vida.

Aos 14 anos de idade, seu pai teve a intenção de enviá-la, juntamente com sua irmã mais velha, Maria da Conceição, para um convento nos Açores. Quando foi avisada, a menina reagiu com tanta aversão à tal ideia que disse preferir que lhe cortassem a cabeça a ser enviada para um convento. O susto da notícia causou na menina uma repulsa tamanha à vida religiosa que seu pai, preocupado foi tomar os conselhos do padre João de Paiva, que tinha fama de santo e profeta na cidade de Salvador. O padre João acalmou-o pedindo que rezasse e tivesse paciência, pois sua filha seria uma dia, “não apenas uma religiosa, mas uma grande religiosa”.

Dois anos após (1677), chegaram em Salvador quatro clarissas do mosteiro de Évora e fundaram o Mosteiro de Santa Clara do Desterro. Vitória estava com 16 anos, mas ainda resistia a ideia de um dia tornar-se freira. Sua devoção ao Arcanjo Miguel continuava latente e neste período começou a ter sonhos com o Menino Jesus que a chamava para o convento e também com a Virgem Maria que lhe dava diversos conselhos. Esses sonhos continuaram presentes até seus 25 anos de idade, quando então decidiu de fato entrar para o mosteiro do Desterro. Era o ano de 1686. Pediu ao pai que tomasse as providências cabíveis para sua entrada naquele mosteiro, e quis que esse dia fosse 29 de setembro, na festa de São Miguel.




No Mosteiro

No mosteiro viveu por 29 anos na clausura e tornou-se a mais conhecida das monjas clarissas da Bahia devido suas grandes virtudes e desejo de santidade. Dormia menos de três horas por noite e todo o restante do tempo passava em vigília diante do Santíssimo Sacramento. A Eucaristia foi para ela o centro de sua vida. Confessava-se frequentemente e não perdia a oportunidade de receber Jesus na Sagrada Comunhão em cada Santa Missa.

Todos os anos, do dia 15 de agosto ao dia 29 de setembro, a Madre Vitória rezava a quaresma de São Miguel em preparação para sua festa. E à partir da devoção a São Miguel cresceu também um amor incondicional às almas do purgatório, por ser considerado ele o arcanjo que resgata essas benditas almas. Sufragava-as continuamente oferecendo por elas suas obras, orações, penitências e sofrimentos cotidianos. Teve diversas experiências místicas com o Cristo sofredor e por muitas vezes foi vista pelas outras monjas a transfigurar-se em sua cela durante a noite, que ficava radiante de luz. Certa vez, enquanto acompanhava de joelhos a procissão do Senhor dos Passos (para o qual mandou construir uma capela dentro da clausura), transfigurou-se diante de toda a comunidade religiosa. Suas coirmãs viram brotar de sua face duas belas rosas.

Possuía tanto amor aos pobres e doentes que mesmo sem nunca ter saído do mosteiro, trabalhava incessantemente por eles, recolhendo esmolas das outras monjas e enviando-lhes mantimentos que retirava da dispensa das irmãs. Pedia também que seus parentes fizessem por eles o que ela mesma faria se estivesse fora da clausura. Por esse motivo os mendigos que batiam a porta do mosteiro a chamavam pelo apelido carinhoso de “nossa madre esmoler”. Deu-lhes em vida tudo o que possuía, inclusive a própria cama, passando a dormir no chão sobre uma esteira de palha. Se alguém no mosteiro adoecia, levava para sua cela e cuidava da doente até que ficasse plenamente curada. As obras de Misericórdia eram suas práticas ordinárias.

Após 29 anos de vida exemplar e muita caridade, a Madre Vitória faleceu aos 54 anos de idade, numa sexta-feira às 15 horas. Era o dia 19 de julho de 1715. De seu corpo exalava um suave perfume que era sentido em todas as dependências do mosteiro. Com a notícia de sua morte, uma grande multidão se aglomerou na portaria do mosteiro trazendo lenços e terços para que as monjas os tocassem no corpo da querida madre. Esses objetos eram guardados como verdadeiras relíquias e muitas pessoas se curaram de doenças graves ao contato com eles.

Em busca da beatificação

Cinco anos após o falecimento da Madre Vitória, devido sua fama de santidade e ao grande número de curas milagrosas por sua intercessão, o então arcebispo da Bahia, o jesuíta Dom Sebastião Monteiro da Vide, desejando torná-la conhecida e promover sua causa de beatificação, publicou em Roma sua biografia com o título “História da Vida e Morte da Madre Soror Vitória da Encarnação”.

Com a morte de Dom Sebastião e as dificuldades de comunicação da época, assim como a diversos outros problemas como a expulsão dos jesuítas do Brasil pelo Marquês de Pombal e a perseguição às ordens religiosas que se seguiram nos anos posteriores culminando com a extinção de alguns mosteiros, entre eles o das clarissas da Bahia, a causa da Madre Vitória não seguiu adiante. Muitos escritos de jesuítas foram proibidos de circular e a biografia da madre quase desapareceu. Mas a tradição oral e a discreta devoção nutrida pelos fiéis que frequentavam o convento do Desterro mantiveram viva a sua memória e 300 anos após seu falecimento a Madre Vitória continua sendo lembrada como a primeira religiosa do Brasil com fama de santidade.

Três séculos se passaram e o interesse dos devotos na beatificação da Madre Vitória resistiu. O Arcebispo de São Salvador da Bahia e Primaz do Brasil, Dom Murilo Krieger, fez um pedido à Congregação para a Causa dos Santos de abertura oficial da sua causa de beatificação. No dia 07 de julho de 2016, a Congregação para a causa dos Santos emite o decreto 'nihil obstat' que autoriza a abertura do processo de beatificação da Madre Vitória e dá a ela o título de Serva de Deus. Enquanto isso seus devotos e admiradores permanecem em oração nos dias 19 de cada mês diante do seu túmulo, no Convento do Desterro, esperando que em breve esta fiel filha de São Francisco e Santa Clara seja elevada às honras dos altares.


No dia 29 de setembro desse ano, na festa de São Miguel Arcanjo no Convento do Desterro, foi celebrada a Santa Missa por ocasião do aniversário de 330 anos de entrada da Madre Vitória para a vida religiosa e o dia em que mudou o nome de Vitória Bixarxe para Vitória da Encarnação. A baixo segue a oração à Serva de Deus e fotos do Convento. 









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