Ano Santo Mariano

domingo, 20 de outubro de 2013


domingo, 13 de outubro de 2013


Caríssimos Irmãos e Irmãs,

“Estamos bem obrigadas a bendizer e louvar a Deus,
dando força ainda maior umas às outras para fazer o bem no Senhor.”
Santa Clara

Do coração brota este louvor e ação de graças pelos inúmeros benefícios que Ele nos concedeu especialmente nos últimos meses e com alegria queremos partilhar com vocês.



O mês de agosto foi aberto sob o esplendor que emanou dos quatro cantos de nossa amada Terra de Santa Cruz pela visita de nosso Santo Padre, o Papa Francisco que com maestria espalhou nos corações próximos e distantes as sementes do amor e da bondade do Pai das misericórdias que Se fez humano em Seu Filho bendito e nos santifica e renova em Seu Santo Espírito e tudo isto resplendeceu em meio ao vigor e entusiasmo dos jovens da Jornada Mundial da Juventude e toda a beleza que este evento comporta e testemunha.



Com o Tema: “Senhor, eu creio em Ti, mas aumentai a minha fé” (Jo 20,27), celebramos a novena em honra à Mãe Santa Clara juntamente com todos os seus peregrinos e devotos, em comunhão com a Santa Igreja que nos pediu por meio do Papa Bento XVI um maior aprofundamento e revigoramento da nossa fé, o Ano da Fé.


Unir a temática da fé à vida de nossa Mãe Santa Clara foi extremamente oportuno e feliz, visto que ela abraçou com muito amor a sua fé e a professou em sua vida até o fim. Uma fé no amor incansável do Pai das misericórdias. Fé na Santa Igreja, da qual ela em tudo obedeceu como filha dileta. Essa fé que a levou a amar os mais pobres e necessitados, deixando para nós, suas filhas e seus devotos, o exemplo e testemunho de amor profundo: “Amor que é mais forte do que a morte” (Ct 8,6b).


No dia 11, pela manhã, tivemos a grande alegria de celebrar a Eucaristia com nossos irmãos: o Frei Marconi, OFM (Ministro Provincial) e o Frei Edson, OFM na Capela de nosso Mosteiro. Estiveram presentes alguns amigos, benfeitores e irmãos da OFS. Na homilia o Frei Marconi ressaltou a partir das leituras a vida de nossa Mãe Santa Clara e seu exemplo que resplandece para nós: o seu silêncio vivido no “deserto” onde somos desposados por Cristo e chamados a ouvir a voz de Deus para termos os Seus sentimentos, depois a contemplação que a leva a permanecer n’Ele. Ainda nos disse que “Clara não é só uma plantinha, mas uma árvore frondosa”. Após a Santa Missa, o Frei Marconi ficou ainda conosco e partilhou de modo informal e fraterno um pouco mais de nossa espiritualidade e da vida da Província. Concluímos este momento familiar com os freis da fraternidade de nossa Cidade.


À tarde após a procissão da imagem belissimamente ornamentada de Santa Clara pelas ruas onde está situado o Santuário, foi celebrada a Santa Missa, esta presidida pelo caríssimo Padre José Janédson de Oliveira, pároco de nossa Paróquia e concelebrada pelo caríssimo Padre Sátiro Cavalcante Dantas, reitor do Santuário de Santa Clara.

Celebrar a festa de nossa Mãe Santa Clara todos os anos é celebrar o nosso próprio carisma, nossa própria vocação. A luz que irradiou, continua a nos irradiar a cada dia e é por isso que rendemos graças ao Altíssimo, Onipotente e bom Senhor por todos aqueles que com amor e fé celebram conosco este momento de graça.


Para nós é impossível esquecer os rostos cheios de esperança que vem até nós, seja para nos saudar ou para abrir seus corações e pedir orações. Nesses momentos nos lembramos das palavras de nossa querida Mãe Santa Clara: “Considero-a auxiliar do próprio Deus sustentáculo dos membros vacilantes de Seu corpo inefável” (3CtIn 8).

E então com alegria seguimos nessa missão de irradiar também ao mundo, por meio de nossa Forma de Vida, essa verdadeira luz, a luz da fé, certas de que “a fé não é luz que dissipa todas as nossas trevas, mas lâmpada que guia os nossos passos na noite, e isso nos basta para o caminho” (Lumen Fidei, Papa Francisco).


Na segunda quinzena do mês de agosto (de 23 a 30.08), tivemos o nosso Retiro Anual sob a orientação e assessoria do caríssimo Frei Rubival Cabral Britto, OFMCap da Província da Bahia. Foram dias de profunda reflexão e de vivência fraterna. Os pontos abordados nas reflexões a partir de nossa espiritualidade foram: a graça da vocação, a vida fraterna e o envio. Cada um destes pontos vividos e contemplados na vida de nossos Seráficos Pais Francisco e Clara foram aprofundados com a sabedoria e a simplicidade do Espírito.


Fortalecidas e renovadas por estes dias profundos de graças nos empenhamos para os últimos preparativos da celebração do Jubileu de Prata de nossa querida Irmã Maria Karolyne de Jesus Crucificado. No sábado, dia 07 de setembro, recebemos a visita fraterna e querida do caríssimo Dom Severino Batista de França, OFMCap (Bispo de Nazaré da Mata - PE) que veio presidir a Santa Missa festiva. O Dom Severino é o pai espiritual da Irmã Karolyne; foi ele que a acompanhou desde o início do seu discernimento vocacional.


Assim, depois de vários meses de preparação, chegou o dia bendito: 08 de setembro, festa da Natividade de Nossa Senhora. Às 10 horas da manhã deu-se início no Santuário de Santa Clara a Santa Missa em ação de graças pelo Jubileu Argênteo de vida clariana de nossa querida Irmã Karolyne. Estavam presentes a sua querida mãe, a Sra. Maria Iêda e mais alguns parentes entre eles seu irmão Alfredo. Vieram também pessoas amigas e benfeitores do nosso Mosteiro. Como já dissemos presidiu a celebração o Dom Severino e os concelebrantes foram: Dom Magnus Henrique, OFMCap (Bispo de Salgueiro - PE), Padre Sátiro Cavalcanti Dantas (Reitor do Santuário de Santa Clara), Padre Hugo (Jesuíta de Russas - CE), Padre João Alfredo (Paróquia do Menino Jesus), Padre Crisanto (Reitor do Seminário Santa Teresinha), Diácono Aerton Alexander (Diácono Permanente da Arquidiocese de Olinda e Recife - PE) e Diácono Severino (Diocese de Nazaré da Mata – PE).


A celebração foi muito bonita e toda a Liturgia expressou o chamado e a escolha de Deus no coração humano e de modo especial na vocação de Irmã Karolyne. O Dom Severino na homilia fez uma retrospectiva na caminhada vocacional de sua filha espiritual, fazendo memória de momentos significativos vividos com ela e sua família e de modo especial se dirigiu a D. Iêda emocionando toda Assembleia. Agradeceu ao Senhor pelo precioso dom da vida consagrada, especialmente a vida contemplativa. Explicou com palavras densas o valor da vida contemplativa na Igreja e na Diocese e da luz que a vida clariana emana inspirada no carisma de nossos Pais Francisco e Clara.


No final da Santa Missa após os agradecimentos e cumprimentos nos dirigimos ao locutório para um almoço de confraternização com os familiares e amigos de Irmã Karolyne e os benfeitores do Mosteiro.

Nossas preces e gratidão ao Pai das misericórdias pela vocação e vida doada de nossa querida irmã: “Por isso dobro os joelhos diante do Pai de nosso Senhor Jesus Cristo (cf Ef 3,14) para que, pela intercessão dos méritos de sua Mãe, a gloriosa Virgem Santa Maria, de nosso bem-aventurado Pai Francisco, (de nossa bem-aventurada Clara) e de todos os santos, o Senhor que deu o bom começo dê o crescimento (cf. 1Cor 3,6.7) e também a perseverança até o fim. Amém” (Testamento de Santa Clara).


Logo depois, na mesma semana, no dia 11 de setembro, vivemos, com a comunidade paroquial onde o nosso Mosteiro está inserido, a Visita Pastoral de nosso Bispo Diocesano, Dom Mariano Manzana. Para este momento preparamos uma pequena celebração com a leitura da Palavra e a apresentação do histórico do Mosteiro, as nossas Irmãs e nossos trabalhos.

Dom Mariano nos dirigiu algumas palavrinhas informando-nos o que é a Visita Pastoral, o que já foi “visitado” nestes anos em que a Diocese vive e se enriquece com estas visitas. Agradeceu a nossa presença na Diocese, as orações, o dom da vida consagrada e contemplativa.

Acompanharam na visita ao nosso Mosteiro Dom Mariano o Padre Sátiro e o Padre José Janédson.


Por tudo e em tudo: BENDIGAMOS AO SENHOR !!!

Nossa saudação fraterna de toda Paz e todo Bem, desejando o melhor n’Aquele que é o mais belo dos filhos dos homens.

Suas Irmãs Clarissas
do Mosteiro Fraternidade São Francisco de Assis.

quinta-feira, 10 de outubro de 2013


No último dia 9 de outubro o Papa Francisco, acolheu o pedido do Cardeal Angelo Amato, Prefeito da Congregação das Causas dos Santos, e estendeu à Igreja presente em todo o mundo o Culto Litúrgico em honra à Bem-aventurada Angela de Foligno, da Ordem Secular de São Francisco; nascida em Foligno, Itália, por volta de 1248 ali morreu em 4 de janeiro de 1309, inserindo-a na lista dos Santos.

FONTE: Radio Vaticana.

domingo, 6 de outubro de 2013


Capela do Coro da Basílica de Santa Clara

Assis, 04 de outubro de 2013

Eu pensava que esta reunião fosse como fizemos duas vezes em Castel Gandolfo, na sala capitular, com as irmãs, mas, confesso-lhes, não tive coragem de despedir os Cardeais. Façamos assim.

Bem, agradeço-lhes tanto pela acolhida como pela oração pela Igreja. Quando uma irmã na clausura consagra toda a sua vida ao Senhor, acontece uma transformação que escapa ao nosso entendimento. Normalmente pensamos que esta irmã se torna isolada, sozinha com o Absoluto, sozinha com Deus; é uma vida ascética, penitente. Mas esta não é a estrada de uma irmã de clausura católica, nem cristã. A estrada passa por Jesus Cristo, sempre! Jesus Cristo é o centro de sua vida, de sua penitência, de sua vida comunitária, de sua oração e também da universalidade da oração. E por esta estrada acontece o contrário daquilo que se pensa sobre uma ascética irmã de clausura. Quando uma irmã vai pela estrada da contemplação de Jesus Cristo, da oração e da penitência com Jesus Cristo, torna-se muito humana. As irmãs de clausura são chamadas a ser muito humanas, de uma humanidade como a da mãe Igreja; humanas, compreendendo todas as coisas da vida, pessoas que compreendem os problemas humanos, que sabem perdoar, que sabem pedir ao Senhor pelas pessoas. A sua humanidade. E a sua humanidade vem por esta estrada, a Encarnação do Verbo, a estrada de Jesus Cristo. E qual é o sinal de que uma irmã é humana? A alegria, a alegria, quando há alegria! Sinto tristeza quando encontro irmãs que não são alegres. Talvez até sorriam, mas com o sorriso de um comissário de bordo. Mas não com o sorriso da alegria, daquela alegria que vem de dentro. Sempre com Jesus Cristo. Hoje na Missa, falando do Crucifixo, dizia que Francisco o havia contemplado com os olhos abertos, com as feridas abertas, com o sangue que jorrava. E esta é a sua contemplação: a realidade. A realidade de Jesus Cristo. Não idéias abstratas, não idéias abstratas, porque ficam somente na cabeça. A contemplação dos estigmas de Jesus Cristo! É a estrada da humanidade de Jesus Cristo: sempre com Jesus, Deus-homem. E por isto é muito bonito quando as pessoas vão ao locutório dos mosteiros e pedem oração e falam sobre seus problemas. Tantas vezes a irmã não diz nada de extraordinário, apenas uma palavra que lhe vem da contemplação de Jesus Cristo, porque a irmã, como a igreja, está no caminho de ser perita em humanidade. E esta é a sua estrada: não espiritual demais! Quando sou espiritual demais, penso na fundadora dos mosteiros concorrentes de vocês, Santa Teresa, por exemplo. Quando vinha a ela uma irmã, oh, com essas coisas... dizia à cozinheira: “dá-lhe um bife!”. Sempre com Jesus Cristo, sempre. A humanidade de Jesus Cristo! Porque o Verbo veio na carne, Deus se fez carne por nós, e isto dará a vocês uma santidade humana, grande, bonita, madura, uma santidade de mãe. E a Igreja quer vocês assim: mães, mãe, mãe. Dar vida. Quando vocês rezam, por exemplo, pelos sacerdotes, pelos seminaristas, vocês têm com eles uma relação de maternidade; com a oração ajudam-lhes a se tornarem bons Pastores do Povo de Deus. Mas recordem-se do bife de Santa Teresa! É importante. E isto é o principal: sempre com Jesus Cristo, as chagas de Jesus Cristo, as chagas do Senhor. Porque é uma realidade que, após a Ressurreição Ele as levou consigo.

E a segunda coisa que quero lhes falar, brevemente, é sobre a vida comunitária. Perdoem-se, suportem-se, porque a vida de comunidade não é fácil. O diabo se aproveita de tudo para dividir! Diz: “Eu não quero falar mal, mas...”, e começa a divisão. Não, isto não é bom, porque a divisão não leva a nada. Cultivem a amizade entre vocês, a vida de família, o amor. E que o mosteiro não seja um Purgatório, que seja uma família. Os problemas existem e sempre existirão, mas, como se faz numa família, é preciso procurar a solução com amor; não destruam esta, para resolver isto; não façam competição. Zelem pela vida de fraternidade, porque quando se vive bem a vida de comunidade, em família, o Espírito Santo se faz presente, o Espírito Santo está no meio da comunidade. Estas duas coisas quero lhes dizer: a contemplação sempre, sempre com Jesus; Jesus, Deus e homem.  E a vida de comunidade, sempre com um coração grande. Deixando passar, não se gloriar, suportar tudo, sorrir com o coração. E o sinal é a alegria. E eu peço para vocês esta alegria que nasce da verdadeira contemplação e de uma bonita vida comunitária. Obrigado! Obrigado pela acolhida. Peço que rezem por mim, por favor, não esqueçam! Antes da bênção, rezemos à Nossa Senhora: Ave Maria …

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sábado, 5 de outubro de 2013

Santo Padre rezando diante do túmulo de São Francisco

Assis esperou quase 800 anos pela visita de um Papa com o nome daquele que tornou a cidade um símbolo de paz para o mundo. A primeira visita a Assis de um Pontífice com o nome Francisco chamou a atenção nesta sexta-feira da mídia mundial, presente em massa na cidadezinha da Úmbria que deu ao mundo um dos seus filhos que se tornou predileto. Papa Bergoglio foi até lá como peregrino, como tantos outros que de todas as partes de mundo vão àquele pequeno pedaço de paraíso para encontrar, rezar e conhecer melhor o jovem Francisco, que deixou tudo por causa de um amor maior, o amor pelo Evangelho de Cristo.

O homem que veio “quase do fim do mundo” entrou na cidade como um peregrino para encontrar e rezar diante do túmulo do inspirador de seu pontificado: Francisco. Significativo o momento de oração na cripta da Basílica inferior diante do túmulo onde repousam os restos mortais do “mendigo de Deus”. Momento precedido pelo encontro com os últimos, os pobres e necessitados, retrato daqueles que Francisco 800 anos atrás ajudava, consolava e dava dignidade. Passaram-se 8 séculos mas o grito dos pobres e dos necessitados, continua o mesmo.

Na sede do episcopado, na Sala da Espoliação de São Francisco – a primeira visita de um Papa àquele local onde Francisco deixou tudo, resolveu casar-se com a Dama Pobreza – Bergoglio falando a um grupo de pessoas assistidas pelas Caritas diocesanas da região fez um convite à Igreja, convite que repete com frequência, de se espoliar, acrescentando que todos somos Igreja, não são só padres e freiras, mas todos. “Se quisermos ser cristãos, não há outro caminho. Sem a cruz, sem Jesus, sem espoliação, - disse - seremos cristãos de ‘confeitaria’”, ou seja, belos, mas não verdadeiros. Mas o Papa não deixou de afirmar que muitos já foram espoliados e continuam sendo espoliados por este mundo selvagem que não dá emprego, que não ajuda, “ao qual não importa se existem crianças que morrem de fome, não importa se muitas famílias não têm o que comer, se tantas pessoas têm que fugir da escravidão, da fome, e fugir em busca de liberdade”. E quanta dor - disse ainda Francisco - quando vemos que encontram a morte, como aconteceu em Lampedusa nesta quinta-feira. “Hoje, é um dia de lágrimas. É o espírito do mundo que faz essas coisas”, explicou.

Pelas ruas da cidadezinha onde São Francisco caminhou, outro Francisco passou o dia entre a Cripta na qual repousam os restos do Santo e a Porciúncula dentro da Basílica de Santa Maria dos Anjos, onde São Francisco morreu no dia 3 de outubro de 1226. O Pontífice visitou ainda grande parte dos lugares franciscanos seguindo as pegadas daquele do qual tomou o nome. Foi a visita de um Papa moldado na espiritualidade de Santo Inácio, e com um coração e radicalidade franciscanas.

Uma visita que Bergoglio fez com viva e transparente emoção; uma alegria estampada em um rosto que não se cansa de iluminar caminhos, uma alegria que explode no coração de todo peregrino que vai a Assis e vislumbra os lugares que Francisco percorreu, lugares admirados em fotografias e cartões postais, por muito tempo sonhados; lugares sugestivos que deixam marcas profundas. Marcas que, certamente, ficaram no coração do Papa Francisco.

Bergoglio tocou a terra da cidadezinha de São Francisco e certamente seu pensamento correu também para os seus pobres de Buenos Aires e para os pobres do mundo inteiro. O seu coração foi até aqueles últimos e - com os joelhos dobrados diante do túmulo de São Francisco - pediu por eles, pela sua dignidade de seres humanos e pela paz no mundo, desejos que expressa em todas as ocasiões possíveis.

O Francisco latino-americano foi ao encontro do Francisco italiano, europeu, do Francisco dos homens de boa vontade e de paz; porque São Francisco não é só dos católicos, mas de todos que vêem neste pequenino-gigante da fé um símbolo de amor pelo próximo e por todas as criaturas viventes.

Bergoglio esteve face a face com o homem da Irmã Pobreza, da Irmã Morte, que por um estranho e misterioso desígnio da Divina Providência foi chamado, em tempos e modos diferentes, a reconstruir, fortificar a Casa do Senhor. Um compromisso que o Sucessor de Pedro decidiu assumir totalmente quando tomou o nome Francisco - o Cardeal Hummes recordou-lhe para não se esquecer dos pobres -, primeiro na história da Igreja.

O nome de um dos Santos mais populares da Igreja também é a marca do seu pontificado; um nome que é programa de vida, inspiração para decisões não fáceis. Um nome que aproxima ainda mais o Papa dos fiéis, e não fiéis, dos mais necessitados, e que dá um novo rosto a uma Igreja para muitos cansada e sem estímulos. Sinais significativos foram dados por Bergoglio nesses quase 7 meses de pontificado, sinais de um novo tempo. Em Assis, na casa do Irmão da pobreza, Francisco reafirmou o seu ideal de Igreja, pobre, próxima dos homens e santa, como Santo é seu Esposo. Uma Igreja sonhada também por João Pedro de Bernardone, para muitos apenas Francisco de Assis. (Silvonei José).

FONTE: Site da Radio Vaticana.

quinta-feira, 3 de outubro de 2013



Em 16 de julho de 1645, o Padre André de Soveral e outros 70 fiéis foram cruelmente mortos por mais de 200 soldados holandeses e índios potiguares. Os fiéis participavam da Missa dominical, na Capela de Nossa Senhora das Candeias, no Engenho Cunhaú – no município de Canguaretama, localizado a Zona Agreste do Rio Grande do Norte. Por seguirem a religião católica, tiveram que pagar com a própria vida o preço da fé, por causa da intolerância calvinista dos invasores.

Três meses depois, aconteceu outro martírio, onde 80 pessoas foram mortas por holandeses, entre elas, o camponês Mateus Moreira, que teve o coração arrancado pelas costas, enquanto repetia a frase “Louvado seja o Santíssimo Sacramento”. Este morticínio aconteceu na Comunidade Uruaçu, em São Gonçalo do Amarante – a 18 km de Natal, litoral do RN.

Fragmentos da História dos Protomártires: 

Segundo o Postulador da Causa dos Mártires, Monsenhor Francisco de Assis Pereira, em seu livro Protomártires do Brasil: “Os holandeses chegaram à Capitania do Rio Grande, no dia 08 de dezembro de 1633. Depois da rendição pelos portugueses da Fortaleza dos Reis Magos, que defendia a entrada marítima da Cidade (de Natal) , a principal preocupação dos invasores foi assumir, o quanto antes, os pontos estratégicos que garantiam a economia da região e subsistência da população.

A economia do Rio Grande do Norte era ainda bastante primitiva. Viviam os moradores das plantações de milho e mandioca, da pesca e da criação de gado. O rebanho do Rio Grande era calculado em 20.000 cabeças de gado. Um viajante holandês assim descreve o modo de viver do povo da capitania ocupada: ‘As pastagens são ali excelentes e os habitantes não têm outra riqueza senão o gado, com o que fazem muito dinheiro; entretanto, a maioria do povo é miserável mal tendo de que viver; pegam ali muito peixe, plantam grande quantidade de mandioca para fazer farinha e também muito milho, o que tudo é trazido aqui para Pernambuco; há igualmente abundância de caça e de frutos silvestres.’ (Adriaen Verdonck)

Os relatórios oficiais e os cronistas holandeses sublinham a importância de estoque de carne e peixe do Rio Grande para suprir às necessidades de suas tropas, principalmente no período de guerra. Diz o relatório dos Três Altos Conselheiros: ‘Durante as revoltas dos portugueses, quando não podíamos ter acesso ao interior e nada podíamos alcançar deste, foi do Rio Grande que não somente os fortes da Paraíba, como também as outras guarnições, foram mantidos com carne e peixe.’(Relatório dos Três Altos Conselheiros)

O mesmo é dito pelo cronista Nieuhof: ‘Daí vieram os fartos abastecimentos de carne e peixe para as vossas guarnições da Paraíba e outras partes, durante a rebelião dos portugueses.’ 

Uma outra fonte de renda para o Rio Grande era a lavoura de cana de açúcar. Na capitania do Rio Grande havia apenas dois engenhos: o Potengi e o Cunhaú. O primeiro a ser invadido pelos holandeses foi o Potengi, por estar mais próximo de Natal. O engenho Potengi não representava muito para a economia do Rio Grande. Encravado em terras pouco férteis, já estava quase desativado, de fogo morto, como se costuma dizer. Na época da invasão, pertencia a Francisco Rodrigues Coelho que aí residia com sua família.

Com a chegada dos flamengos a Natal, vários moradores importantes da capitania se refugiaram no engenho, na esperança de que sobreviessem reforços da Paraíba e de Pernambuco. Os holandeses os perseguiram: no dia 14 de dezembro, seis dias após o desembarque em Natal, deixaram a Fortaleza dos Reis Magos em três grandes botes de vela e seguiram , Potengi acima, e depois por terra, até o engenho com a ajuda de tapuias da tribo dos Janduis, mataram Francisco Coelho, sua mulher e seis filhos, e todas as outras pessoas que ali se encontravam, em número de sessenta.

Foi este o primeiro grande morticínio perpetrado, pelos flamengos em solo potiguar. Dada, porém, a ausência de motivação religiosa, esta chacina não apresenta as característica de um verdadeiro martírio de fé.

O engenho Cunhaú, a 80 Km de Natal, construído na sesmaria dada por Jerônimo de Albuquerque, em 02 de maio de 1604, aos seus filhos Antônio e Matias, era o mais importante centro da economia do Rio Grande.

O vale do Cunhaú, onde estava situado o engenho, irrigado pelo rio do mesmo nome, constituía um imenso campo verdejante de canaviais e plantações de milho e mandioca. Toda a colheita de cana de açúcar era moída no engenho que chegou a safrejar, anualmente, de seis a sete mil arroubas de açúcar. O vale possuía também extensas áreas de criação de gado, cuja carne abastecia toda a região.

A produção de açúcar, carne e farinha era exportada para Pernambuco e Paraíba, através do Rio Cunhaú que desemboca no Oceano Atlântico. A Barra do Cunhaú era guarnecida por uma fortificação construída pelo portugueses e tonada pelo flamengos em 1634.

Por tudo isso, Cunhaú se tornou o alvo da ambição e cobiça dos holandeses na sua ânsia de dominar toda a região e controlar a sua economia. Sua posição estratégica, a meio caminho da Paraíba, fez de Cunhaú um palco de lutas sangrentas, vinganças e saques entre portugueses, índios e holandeses.

A primeira invasão de Cunhaú pelos holandeses ocorreu em 1634. O engenho que, então, pertencia a Antônio de Albuquerque Maranhão, foi confiscado e vendido ao sargento-mor Joris Gartsman e ao conselheiro político Balthasar Wintges. Posteriormente, estes o venderam a Willem Beck e Hugo Graswinckel. Quando dos acontecimentos que estamos por narrar, o engenho voltara às mãos de um português, Gonçalo de Oliveira, que adquirira por suas ligações de amizade com os holandeses.

O morticínio na Capela de Cunhaú: Passadas as turbulências que caracterizaram o início da ocupação, a vida do engenho parecia ter voltado à normalidade. Ao redor da Capela de Nossa Senhora das Candeias, da casa-grande e do engenho, viviam pacatamente 70 modestos colonos com suas famílias. Inteiramente dedicados aos seus trabalhos na lavoura e na moagem da cana. Nada indicava qualquer alteração neste ritmo. Novas tempestades, porém, já davam sinais no horizonte.

O movimento de insurreição contra o domínio holandês já começara em Pernambuco mas, na longínqua capitania do Rio Grande tudo parecia normal. Bastou, porém, a presença de uma só pessoa para que o clima se tornasse tenso: Jacó Rabe, um alemão a serviço dos holandeses, chegara repentinamente a Cunhaú, no dia 15 de julho de 1645.

Rabe era um personagem por demais conhecido dos moradores de Cunhaú. Freqüentes eram aquelas incursões por aquelas paragens, sempre acompanhado de seus amigos e liderados, os ferozes tapuias, semeando por toda parte ódio e destruição. A simples presença de Rabe e dos tapuias já constituía motivo suficiente para suspeitas e temores. 
Além dos tapuias, Jacó Rabe trazia, desta vez, consigo alguns potiguares com o chefe Jererera e soldados holandeses, uma vez que se apresentava em missão oficial, dizendo-se portador de uma mensagem do Supremo Conselho Holandês, do Recife aos moradores de Cunhaú.

No dia seguinte, 16 de julho, um Domingo, aproveitando a presença de um grande número de colonos na igreja, para a missa dominical celebrada pelo Pároco Padre André de Soveral, Jacó Rabe mandara afixar nas portas da igreja um edital, convocando a todos para ouvirem as Ordens do Supremo Conselho, que seriam dadas após a missa.

Muitos compareceram, mas uma chuva torrencial, providencialmente caída naquela manhã, impediu que o número fosse maior. (...)

Como havia um certo receio pela presença de Jacó Rabe alguns preferiram ficar esperando na casa de engenho.

Chegou a hora da missa. Os fiéis, em grupos de familiares ou de amigos, se dirigiram à igrejinha de Nossa Senhora das Candeias. Levados apenas pelo preceito de cumprir o preceito religioso, evidentemente não portavam armas, proibidas pelas autoridades holandesas, mas só alguns bastões que encostaram nas paredes do pórtico.

O Padre André inicia a celebração. Após a elevação da hóstia e do cálice, erguendo o Corpo do Senhor, para a adoração dos presentes, a um sinal de Jacó Rabe, foram fechadas todas as portas da Igreja e se deu início à terrível carnificina.

Foram cenas de grande atrocidade: os fiéis em oração, tomados de surpresa e completamente indefesos, foram covardemente atacados e mortos pelo flamengos com a ajuda dos tapuias e potiguares.

Ao perceber que iam ser mesmo sacrificados, os fiéis não se rebelaram. Ao contrário, ‘entre mortais ânsias se confessaram ao sumo sacerdote Jesus Cristo Senhor Nosso, pedindo-lhe cada qual, com grande contrição perdão de suas culpas”, enquanto o Padre André estava ‘exortando-os a bem morrer, rezando apressadamente o ofício da agonia”.

Mais informações no Site da Arquidiocese de Natal.

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